Mudar para os Estados Unidos – com o Trump no poder, essa decisão muda?

mudar para os estados unidos

MUDAR PARA OS ESTADOS UNIDOS –

VEJAM ABAIXO DO POST NOSSO UPDATE PÓS ERA TRUMP!

 

Esse post tem o objetivo de continuar a conversa sobre as motivações que me fizeram escolher os Estados Unidos, e quais os objetivos dessa mudança.

Como já havia dito antes, depois que nos mudamos, muita gente questionou o porque de mudar para os Estados Unidos: porque os Estados Unidos (se quiser mais sobre o que respondi, veja aqui: Morar nos Estados Unidos – porque aqui), e não algum outro lugar como Europa? E, mais especificamente: qual foi seu objetivo?

O post de hoje trata dessa segunda pergunta: qual foi meu objetivo? Sim, porque tem gente que se muda para cá para perseguir uma profissão que não poderia perseguir no Brasil, tem gente que vem em função da falta de segurança, tem gente que nem sabe porque veio…

E a minha resposta é…

Meu objetivo ao mudar para os Estados Unidos foi colocar as crianças em primeiro lugar: salvar a próxima geração. Quero que meus filhos vivam bem e tenham um futuro – se não garantido – pelo menos mais tranquilo…que eles sobrevivam à infância e adolescência, e cheguem na fase adulta tendo tido a oportunidade de uma educação de nível internacional, que eles possam escolher qualquer profissão, e que todas as portas estejam abertas para eles.

Mas acima de tudo, quero que os bons valores que estou ensinando em casa para eles não estejam diariamente conflitando com o que eles vêem na rua.

Eu cresci no Brasil da década de 80 e 90, vi os horrores dos planos econômicos: o cruzado do Sarney, o sequestro da poupança do Collor e da Zélia. Meu pai perdeu boa parte do dinheiro que guardou logo depois de uma demissão como diretor de uma grande empresa em função disso. Desculpem, mas se vocês acham isso ok, eu não acho.

Quando começamos a ir na direção certa, vieram os governos do Lula e da Dilma e destruiram a capacidade de geração de emprego e o poder aquisitivo que estava começando a ser conquistado. Meu objetivo não é fazer propaganda, estou distribuindo meus sopapos políticos igualmente entre o espectro político, mas a verdade é que o nosso país tem um problema moral que afeta a todos, e que é pior na classe política, e isso se reflete na nossa vida de todo dia.

Mas a economia é só um pedacinho, o pior é a segurança. O Brasil é hoje um dos países mais violentos do mundo. Se contarmos a quantidade de capitais e grandes cidades brasileiras na lista das mais violentas do mundo, acho que não tem para ninguém. Só dá Brasil.

De novo, não tenho o objetivo de discutir a causa das violências no Brasil, como não quero discutir política, apenas contar como essas coisas refletem na vida da nossa família….

Acho que o sonho de toda mãe brasileira é saber que seus filhos podem andar de bicicleta na rua sem serem assaltados ou atropelados, e que eles tenham chance de ter acesso a uma educação melhor.

Como ter certeza que esse meu objetivo será atingido? É algo de longuíssimo prazo, só vou poder ter certeza  daqui há 20 anos…mas o que já sei hoje é que eles estão bastante mais felizes aqui com o dia a dia deles, APESAR de estarem longe de amigos e família, apesar de se darem conta que os americanos são mais fechados e que é preciso mais esforço para fazer amizades, apesar de terem de ajudar nas tarefas domésticas, e apesar de terem mais lição de casa.

Por quê?

Mesmo sendo bastante crianças, acho que eles já captaram muita coisa. Na escola que eles vão, são as próprias crianças que fazem parte da patrola de segurança na chegada e na saída dos alunos. Eles que organizam as filas de carros, para que as mães-motoristas não fiquem amontoando seus carros na porta e acabem atrapalhando o trânsito e pondo em risco a vida dos demais.

No Brasil, não tem escola privada que não passe por essa cena todo dia: das mães, cada uma querendo ser mais esperta que a outra e deixando o filho mais perto da porta que a outra. Nós somos parte do problema, e todo dia viramos para as crianças e dizemos que elas tem de respeitar as regras, que elas tem de pensar nos outros, etc, etc. O que a criança processa disso? A gente tem de parar para pensar.

Criança presta mais atenção no que a gente faz do que no que a gente diz, então eles talvez tenham até mais facilidade de pegar essa diferença.

Outra coisa que meus filhos já se deram conta: a meritocracia é mais forte, na vida profissional, e também nas escolas. Desde cedo todo mundo é muito incentivado a dar duro, no esporte e nos estudos. E quem se destaca é reconhecido pelo esforço e resultado. E a gente, o que tem no Brasil?

Enfim, só o futuro vai dizer se meu objetivo será alcançado, mas tenho tranquilidade de que, com as informações atualmente disponíveis,  fiz a melhor escolha possível.  E você? Já pensou em se mudar para os Estados Unidos?

UM UPDATE APÓS A ELEIÇÃO DE TRUMP:

Publiquei esse post em outubro, quando a idéia de Donald Trump ser eleito era quase que impensável. Diversas pessoas perguntam se esse fato mudaria minha decisão.

Muito embora o resultado da eleição descortine uma realidade complicada, onde, na melhor das hipóteses, vê-se um país cada vez mais voltado para dentro, para si mesmo (e na pior das hipóteses, talvez estejamos vendo crescente xenofobia), acho que devemos analisar a situação de forma comparativa. Ou seja: supondo que alguém possa escolher morar em qualquer lugar do mundo, como os Estados Unidos se compara como opção antes e depois da era Trump?

Olhando as possibilidades de lugares mais óbvios para brasileiros, a gente verifica o seguinte:

a) o Brasil continua em uma crise sem precedentes, que está atacando a prestação de serviços básica do Estado aos cidadãos. Cidades como Vitória e Porto Alegre vivem hoje em estado de sítio, com assaltos e tiroteios na rua a qualquer momento, e em qualquer bairro. A economia talvez tenha visto seu momento mais negro no final de 2016, mas um país sem condições de produção competitiva (baixos índices de educação e produtividade do povo), como o Brasil, vai demorar muito – anos – para iniciar a recuperação. Mesmo no seu apogeu, o Brasil jamais bateu os Estados Unidos em seu pior momento econômico. Ou seja: Estados Unidos, apesar de complicado com Trump, ainda dá de 10 a zero no Brasil;

b) a outra opção mais comum para brasileiros, em especial os que tem cidadania européia, são os países europeus. Na Europa, a xenofobia é crescente e talvez mais perigosa do que nos Estados Unidos: os políticos de direita também estão tomando espaço, e há ameaça mais clara de atentados a todo momento. No quesito clima social e segurança, portanto, Estados Unidos ganha da Europa.

No quesito economia, para os brasileiros que vem para trabalhar e ganhar a vida, ou estão pensando no futuro profissional de seus filhos, convido a olhar este gráfico (comparação do Euro com o dólar dos últimos 5 anos):

comparacao euro com dolar

Acho que não precisa dizer mais nada, precisa?

 

Confira os próximos posts, para saber o desenvolvimento dessa conversa…

Nossa nota
 
Summary

4 Comentários em Mudar para os Estados Unidos – com o Trump no poder, essa decisão muda?

  1. Adorei, Juli! Quero muito poder dar essa oportunidade pras minhas filhas também! Está muito difícil por aqui, em especial no quesito segurança!bjs

     
    • eu espero que consigas em breve, Camila! Considera também o Canadá, que tem uma política mais amigável hoje para receber estrangeiros…
      Apesar de tudo que está acontecendo aqui no US, eu acho que no longo prazo as coisas voltam ao que sempre foram e o país continuará recebendo estrangeiros que tem algo a agregar de forma positiva: esse país foi construído em cima dos imigrantes, é só pensar no poema que está escrito nos pés da estátua da Liberdade.

       
  2. Penso exatamente da mesma forma que você.
    Sou mãe divorciada e pretendo poder dar uma boa educação pra minha filha, mesmo que para isso eu precise me sacrificar mais ate ter a oportunidade de mudar de país.

     
    • Kelly, muito legal o seu espírito.
      Desculpe, eu não quero ser feminista, mas só quem é mãe sabe do que a gente está falando…
      Vou contar uma história meio lateral ao assunto aqui, mas acho que vai dar para entender do nível de dedicação e sacrifício que a gente está falando…
      Quando eu fazia terapia, e me divorciei, estava dando aquela reclamada básica sobre como as coisas mais difíceis acabam caindo na cabeça da gente, e que, se nós mulheres não fazemos certas coisas pelos filhos, os homens não farão…
      Meu psiquiatra falou: “Você já reparou em uma fila de presídio, no dia de visita? Quem está lá?” Respondi: “Um bando de mulheres”.
      Ele continuou: “E em presídio feminino? Você já olhou?” (eu uma vez havia contado para ele que fiz a cadeira de Execuções Penais na Faculdade de Direito, ele sabia que eu havia visitado presídios…só para quem estiver achando a pergunta esquisita ;-)). Eu respondi: “Um bando de mulheres”.
      É isso. Tem coisas que só uma mãe ou uma filha vão fazer. É certo? Não. Mas acho que até hoje ninguém inventou um jeito de reverter a natureza masculina para fazer eles fazerem isso…se você não fizer, difícil alguém mais fazer. Torço muito por você! Mantenha a gente informado sobre o seu plano! Tenho certeza que mais gente também vai querer torcer por você e por sua filha!
      E um bônus: os homens não latinos costumam ser menos machistas, e ajudar mais em casa! 😉

       

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*